Um pouco sobre a história da bicicleta, do ciclismo...


Por Renato André Silva 

Desde os tempos mais remotos o homem buscou meios para facilitar sua permanência e transporte no planeta. Dentre muitas invenções que buscaram facilitar seu deslocamento, a bicicleta vem se destacando e apresentando a cada dia inúmeras vantagens sobre os outros meios de transporte. Neste sentido, a bicicleta evoluiu e adaptou-se às novas realidades.

A história da bicicleta se inicia com o surgimento da roda, que segundo BRANDT (1993) tem sua origem incerta, embora, visivelmente tal instrumento tenha marcado o advento da maquinaria para carregamento de cargas e também, por ser parte essencial para na formulação de polias, engrenagens e equipamentos rotacionais. Neste contexto de modernização da roda, as máquinas de tração humana tenderam a se desenvolver e conseqüentemente a bicicleta também.

Segundo Wilson & Papadopoulos (2004) a história da bicicleta se inicia antes da construção do primeiro quadro de metal apoiado em duas rodas, quando a potência muscular humana era utilizada como ferramenta de trabalho ao invés, ou concomitante a força animal, onde engenhocas de grandes dimensões e diferentes objetivos eram movidas pela força e potência produzida pelo homem, oque ocorreu até os primórdios do século 20.

WILSON & PAPADOPOULOS (2004) dividem a história real da bicicleta em 3 estágios, onde o primeiro caracteriza-se pela construção da primeira bicicleta, que desenvolvida pelo barão e matemático Karl von Drais (1817), foi chamada de Dreisienne  e pretendia ser um veículo que pudesse percorrer pequenas distâncias sendo rápida e barata. Este primeiro modelo é considerado o principal marco nessa história.

O segundo estágio surge com a construção da primeira bicicleta com sistema próprio de propulsão, por possuir pedais e manivelas acoplados à roda dianteira e que foi creditada a Pierre Michaux, entre 1867-1869 (WILSON & PAPADOPOULOS, 2004).

Após um grande desenvolvimento tecnológico com as seguidas - rodas de maior diâmetro e a construção de triciclos e quadriciclos - foi alcançado o terceiro estágio, com a chegada de bicicletas mais modernas e seguras a partir de 1885. Essas possuíam rodas livres e quadros tubulares em losango, que permitiam maiores velocidades com menos esforço e mais conforto. Na continuidade do avanço tecnológico vieram às bicicletas adaptadas para todo tipo de terreno (mountain bike), com fabricação em larga escala a partir da década de 70, também as bicicletas reclinadas (recumbent), as quais tiveram grande sucesso na Europa após a I Guerra Mundial (WILSON & PAPADOPOULOS, 2004).

A bicicleta tornou-se também um ótimo equipamento para a realização de corridas, resultando no ciclismo de competição, que hoje é um desporto olímpico e institucionalizado internacionalmente, cujas competições podem ocorrer em pista (asfalto), na terra (mountain bike ou bike trial), em aparatos como o half pipe, no gelo ou velódromo, dentre outros.

O ciclismo é divido em categorias por idade, gênero e, em amador e profissional. Além de poder ser praticado com fins recreacionais e artísticos.

A bicicleta sofreu grandes evoluções que a tornaram extremamente moderna. Estes avanços propiciaram quer a bicicleta migrasse de um simples meio de locomoção, para um excelente equipamento para medir, manter e/ou melhorar a condicionamento físico (HOWLEY, 2000).

Neste contexto surgem às bicicletas estacionárias e que posteriormente avançaram às ergométricas. Segundo Silva & Oliveira (2004) essa é a principal conquista, dentro do processo evolutivo da bicicleta, a qual permitiu seu uso em medições orgânicas e funcionais, assim como para o treinamento específico da modalidade de ciclismo em recinto fechado.

As bicicletas estacionárias são conhecidas tecnicamente como cicloergômetros e são encontradas nos laboratórios de avaliação física, em clínicas médicas, em residências e, em maior número, nos departamentos de ergometria das academias de ginástica.

A bicicleta estacionária é conceituada como bicicleta adaptada para a simulação do movimento de pedalada, permanecendo no mesmo local. Mesmo não tendo duas rodas utiliza-se o nome bicicleta. Porém, apesar delas serem conhecidas como cicloergômetros, obrigatoriamente, nem todas as bicicletas estacionárias são cicloergômetros.

Cicloergômetros são ergômetros para movimentação cíclica de membros inferiores ou superiores que medem trabalho, ou então, dispositivo apropriado para mensurar e estudar respostas fisiológicas sob condições de esforço físico, os quais, obrigatoriamente, possuem graduação de carga e potência (HOLLMANN & HETTINGER, 1989). Desta forma, as bicicletas estacionárias que não quantificam trabalho, são apenas aparatos para movimentação cíclica sem controle sistemático de sobrecarga.

Sejam as bicicletas convencionais, as de competição ou mesmo as estacionárias, todas tem lugar cativo na vida dos amantes do ciclismo, tendo em vista que por meio delas podemos usufruir dos inúmeros benefícios oriundos do ato de pedalar.

Referências
WILSON, D. G.; PAPADOPOULOS, J. Bicycling science. 3rd ed. Cambridge, MA: The MIT Press, 2004. SILVA, R. A. S.; OLIVEIRA, H. B. Prevenção de Lesões no Ciclismo Indoor- uma proposta metodológica. Rev. Bras. Ciên. Mov., v. 10, n. 4, p. 7-18, 2002.

HOLLMANN, W.; HETTINGER, T.H. Medicina de esporte. São Paulo: Manole, 1989. HOWLEY, E.T. Manual do instrutor de condicionamento físico. 3. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. BRANDT, J . The Bicycle Wheel. Palo Alto, Califórnia, III.: Avocet, INC, 2003.