Ah.... os paradigmas..... (2012)

A atual Campeã do Mundial de Ironman em Kona vem sendo acompanhada pela Equipe Retul em Boulder, Colorado desde o ano passado. Entre outras importantes mudanças de posicionamento, Mirinda Carfrae trocou a posição espremida de uma bike aro 700 por uma posição aero e eficiente de uma 650 (para uma pessoa do tamanho dela). E ainda, agora ela utiliza pedivelas  de 165mm (antes 170mm) e cogita diminuir ainda mais, para preservar a posição aerodinâmica e evitar perda de eficiência no ponto alto da pedalada. Jim Felt recebeu da Retul os dados da antiga bike 700c de Carfrae e então construiu a sua nova FELT 650c com base nos arquivos gerados pela digitalização da bike feita pela canetinha mágica "ZIN"(como a foto abaixo). Uma absurdo para muitos; andar de aro 26 e pedivelas pequenas...


Engraçado como os paradigmas aqui no triatlo brasileiro persistem. Em 2001, Jim Martin, um estudioso do ramo, testou com mais de 60 atletas pedivelas entre 120 e 220 mm e não obteve NENHUMA diferença significativa em potência. Esse artigo agora famoso entre os atletas cria conclusões controversas, pois os atletas têm justificativa para manter pedivelas grandes e ineficientes. Mas por que ineficientes? Lembrem-se que Jim Martin se referiu a potência. 
Se um atleta insiste em ficar em posição aerodinâmica e combina isso com pedivelas grandes, ele terá uma flexão de quadril extremamente acentuada no ponto alto da pedalada e perderá eficiência, simples assim. Ainda vai demorar para os atletas aceitarem conselhos de especialistas no assunto. Para se ter idéia, se o atleta estiver com pedivelas 172.5 mm, e no ponto inferior da pedalada ele tem 38 graus de flexão na articulação do joelho e no ponto alto o quadril com 135 de flexão, se ele trocar para 170 mm de pedivelas, ele subirá o selim 2.5 mm para compensar a flexão de joelhos mantendo os 38 graus de flexão. Ok, no ponto alto da pedalada somando os 2.5 mm a menos das pedivelas com os 2.5 mm a mais de altura no selim, temos 0.5 cm; o suficiente para aliviar o quadril em 2-3 graus a menos de flexão. Ainda quer utilizar pedivelas grandes? E não pensem que no ciclismo e MTB o problema não existe; ele só fica diferente.



Mirinda em entrevista coletiva ao lado de Matt e Todd da RETUL, explicando o por que de seu melhor desempenho após o bike fit com o sistema RETUL e o acompanhamento para aquisição de equipamento mais adequado.